Publicado em

GOLPE DURANTE O ENEM 2024 CAUSA GRANDE PREJUÍZO FINANCEIRO E EXCLUI CANDIDATOS

Durante o período de inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024, um esquema fraudulento causou prejuízos expressivos a milhares de estudantes em todo o país. Uma investigação da Polícia Federal revelou que páginas falsas foram criadas na internet, simulando o portal oficial do Inep, com o objetivo de enganar candidatos e induzi-los ao pagamento indevido da taxa de inscrição.

A fraude consistiu na criação de sites com aparência idêntica à do canal oficial do Governo Federal, o que levou mais de 35 mil pessoas a realizarem transferências via Pix para contas vinculadas a uma empresa que não possuía qualquer autorização para intermediar inscrições. Estima-se que o valor desviado tenha ultrapassado os R$ 3 milhões.

A apuração resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão em Praia Grande, no estado de São Paulo. Bens pertencentes aos suspeitos foram bloqueados judicialmente, com o intuito de garantir futura reparação aos prejuízos causados. Também foram recolhidos documentos, equipamentos eletrônicos e registros considerados relevantes para aprofundar as investigações. Um dos indivíduos apontados como líder da estrutura criminosa já possuía antecedentes por crimes semelhantes.

O impacto para os estudantes atingidos vai além do prejuízo financeiro. Aqueles que efetuaram o pagamento por meio dos canais falsos não tiveram sua inscrição efetivada, ficando impedidos de participar do exame. Como consequência, perderam a oportunidade de concorrer a vagas em programas educacionais como o Sisu, o Prouni e o Fies, o que compromete diretamente seus planos acadêmicos.

As autoridades responsáveis alertam para a importância de se utilizar, exclusivamente, os canais oficiais de comunicação e inscrição, reconhecíveis por sua extensão “gov.br”. A recomendação é que qualquer dúvida sobre prazos, taxas ou etapas do exame seja esclarecida diretamente com os órgãos competentes.

Este episódio revela o grau de sofisticação com que grupos criminosos têm atuado no ambiente digital e reforça a urgência de medidas de prevenção, fiscalização e educação digital para proteger a população, especialmente os jovens, em processos que envolvem dados sensíveis e decisões com efeitos duradouros. A Polícia Federal continua empenhada na identificação de demais envolvidos e na recuperação dos valores indevidamente apropriados.

Publicado em

FERRAMENTA DE SEGURANÇA É ALVO DE USO INDEVIDO APÓS VAZAMENTO DE LICENÇA CORPORATIVA

Uma versão não autorizada de uma ferramenta comercial voltada à evasão de sistemas de detecção foi utilizada indevidamente por agentes mal-intencionados para disseminar códigos maliciosos especializados na extração de dados confidenciais. A ferramenta em questão, originalmente desenvolvida para fins legítimos de teste de segurança, teve seu uso desviado após a violação de um contrato corporativo, envolvendo uma empresa que havia adquirido licenças de forma regular.

A equipe responsável pela solução, ao identificar o comprometimento, lançou uma nova versão do software com restrições adicionais. Esta atualização passa a ser disponibilizada exclusivamente a clientes que passem por um processo de verificação reforçado, com a exclusão imediata da entidade que contribuiu para a exposição do recurso. Trata-se da primeira ocorrência confirmada de uso indevido desde que novas regras de licenciamento foram adotadas no início de 2023.

Pesquisadores independentes já haviam detectado a utilização da versão anterior do software desde abril, apontando que sua disseminação ocorreu por meio de mensagens em plataformas digitais e campanhas fraudulentas por e-mail. Embora essas análises tenham permitido a criação de mecanismos de detecção específicos para os códigos implantados, houve discordância quanto à forma como as informações foram compartilhadas. A empresa responsável pelo software demonstrou preocupação com a priorização da divulgação pública em detrimento do aviso prévio ao fornecedor, o que poderia ter acelerado a contenção do risco.

Apesar do desacordo, os dados compartilhados permitiram identificar a origem da falha, auxiliando na exclusão do cliente responsável. A equipe de desenvolvimento reiterou que não mantém qualquer associação com práticas ilícitas e se colocou à disposição das autoridades competentes para contribuir com as investigações. Também foi expressa preocupação com os efeitos colaterais sobre os demais usuários legítimos, que agora enfrentam medidas adicionais de controle e verificação.

O episódio reforça a importância de mecanismos eficazes de governança sobre ferramentas sensíveis, especialmente aquelas cujo uso indevido pode comprometer ambientes corporativos e dados pessoais. A manutenção de relações de confiança entre desenvolvedores, pesquisadores e usuários é um fator essencial para a integridade dos processos de segurança da informação.

Publicado em

SEGURANÇA DIGITAL: A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO NA PREVENÇÃO DE FRAUDES PERSONALIZADAS

A sofisticação dos golpes digitais tem avançado em ritmo acelerado, acompanhando o desenvolvimento das tecnologias de informação e o comportamento dos usuários nas plataformas conectadas. Trata-se de um movimento silencioso e estratégico, no qual os fraudadores deixam de lado abordagens genéricas e passam a explorar, com precisão, características particulares de cada indivíduo.

Essa transformação no modo de atuação não é fruto do acaso. A coleta de dados, muitas vezes feita de forma discreta a partir de redes sociais, cadastros e interações online, permite que os criminosos construam perfis comportamentais extremamente precisos. Com isso, surgem armadilhas personalizadas: mensagens com aparência legítima, convites que parecem familiares e links que inspiram confiança. A engenharia social entra em cena como ferramenta de convencimento, por vezes, de manipulação emocional, com o objetivo de induzir a vítima a um clique, a um compartilhamento ou ao fornecimento de informações sensíveis.

Diante desse contexto, adotar medidas de proteção passa a ser mais do que uma escolha técnica. Torna-se um hábito necessário. Uma postura cautelosa diante de contatos digitais inesperados, por mais bem-intencionados que pareçam, é uma das primeiras defesas. Além disso, a verificação em duas etapas, hoje disponível na maioria dos serviços, representa uma barreira efetiva contra invasões, dificultando o acesso mesmo quando senhas são comprometidas.

Outro ponto fundamental é a criação de senhas seguras e exclusivas para cada plataforma utilizada. Embora possa parecer um detalhe trivial, esse cuidado reduz significativamente o impacto de vazamentos, uma vez que impede o efeito dominó entre diferentes contas.

Atualizações regulares de aplicativos, sistemas operacionais e antivírus também não devem ser negligenciadas. Essas atualizações contêm, muitas vezes, correções específicas para falhas exploradas por cibercriminosos, reforçando a segurança da navegação e das operações digitais.

No entanto, nenhuma barreira técnica substitui o valor da informação. Pessoas bem orientadas estão mais preparadas para reconhecer abordagens suspeitas e adotar respostas rápidas. Iniciativas de formação em educação digital, treinamentos em segurança da informação e a disseminação de conteúdos explicativos têm papel decisivo nesse processo. O conhecimento compartilhado, seja dentro de empresas, escolas ou comunidades, amplia a rede de proteção e fortalece a postura preventiva.

A vigilância constante nas práticas digitais é, portanto, uma prática de responsabilidade individual e coletiva. Os mecanismos de fraude continuam a evoluir, mas a capacidade de adaptação do usuário também pode e deve acompanhar esse ritmo. Manter-se atento, revisar hábitos de segurança e buscar fontes confiáveis de orientação são condutas que contribuem diretamente para um ambiente digital mais seguro e menos vulnerável à ação de criminosos virtuais.

Publicado em

COMO O USO IRRESPONSÁVEL DA INTERNET AMEAÇA DIREITOS E RELAÇÕES

Vivemos uma era em que a conectividade digital deixou de ser apenas uma ferramenta e passou a ocupar o centro das relações humanas, econômicas e institucionais. A tecnologia, com seu poder de encantamento e eficiência, alterou a forma como vivemos, nos relacionamos e tomamos decisões. Mas é preciso reconhecer que, por trás das promessas de progresso, também se esconde um processo de corrosão ética e social que avança de modo silencioso, porém implacável.

Há uma transformação em curso que atinge não apenas os meios, mas os próprios fins das interações humanas. O comportamento virtual, guiado por algoritmos opacos, molda a personalidade coletiva e redefine valores. O culto à influência, à velocidade, ao lucro e à performance passou a ditar regras nas instituições e nas relações pessoais, empurrando para as margens aqueles que ainda zelam por princípios como lealdade, reserva, respeito e cooperação.

Enquanto isso, o ambiente digital se converte, progressivamente, em território fértil para práticas abusivas e violações de direitos. As estruturas que deveriam proteger o indivíduo tornam-se frágeis diante da sofisticação das ações maliciosas: fraudes, extorsões, espionagem, manipulação de dados, disseminação de desinformação. Não se trata mais de ficção distópica. É uma realidade com efeitos concretos, que compromete desde a integridade de sistemas de saúde até a sobrevivência de pequenos empreendedores.

O espaço virtual, inicialmente idealizado como campo aberto de liberdade e inovação, tornou-se também campo minado, onde a lógica da dominação muitas vezes se impõe à lógica do respeito. Episódios envolvendo ataques cibernéticos em instituições públicas e privadas evidenciam não apenas a fragilidade dos sistemas de defesa, mas a ausência de uma cultura sólida de responsabilidade digital. A sociedade tem sido lenta em estabelecer limites, e os custos dessa inércia estão sendo pagos com vidas, reputações e economias inteiras.

As consequências não se restringem aos prejuízos financeiros. A deterioração da confiança nas relações digitais afeta diretamente a qualidade da convivência social. Em um ambiente onde tudo pode ser forjado ou capturado indevidamente, até o pacato cidadão se vê vulnerável. E esse temor, ao invés de incentivar a cautela coletiva, tem muitas vezes sido explorado por atores que lucram com o medo, a desinformação e a instabilidade.

É necessário, portanto, um gesto de sobriedade e responsabilidade. Mais do que seguir louvando os benefícios tecnológicos, que são inegáveis, impõe-se a tarefa de refletir sobre os limites. A tecnologia não é neutra. Ela reflete escolhas humanas e precisa ser regulada com base em princípios éticos e jurídicos sólidos, que protejam a dignidade e a autonomia do indivíduo.

Ignorar esse debate significa correr o risco de assistir à erosão silenciosa das garantias mais básicas da convivência civilizada. Ainda há tempo de preservar o valor emancipador das inovações, desde que haja coragem para reconhecer os excessos e firmeza para corrigi-los. Afinal, nenhum avanço técnico justifica o abandono do senso de humanidade.

Publicado em

SEGURANÇA NA NUVEM: O TESTE QUE GARANTE A CONTINUIDADE DO SEU NEGÓCIO

A importância dos testes de recuperação de desastres nas operações em nuvem

Empresas que operam com serviços em nuvem dependem fortemente da confiança na segurança e continuidade de suas operações. No entanto, uma constatação recorrente entre profissionais da área de tecnologia da informação é que os investimentos ainda são insuficientes diante da complexidade dos riscos envolvidos.

74% dos líderes de segurança e TI acreditam que suas organizações estariam mais preparadas para lidar com ameaças virtuais caso houvesse maior dedicação de recursos à prevenção. O levantamento envolveu 825 entrevistados de empresas localizadas em diversas partes do mundo, incluindo o Brasil, e evidenciou um ponto de atenção: muitas empresas ainda não adotam práticas adequadas de gestão preventiva, o que as expõe a vulnerabilidades evitáveis.

Entre os problemas mais recorrentes está a ausência de testes regulares nos planos de recuperação de desastres. Mesmo entre empresas que contratam soluções em nuvem, é comum que os sistemas de recuperação não sejam devidamente avaliados quanto à sua eficácia. A testagem periódica desses recursos é essencial para garantir que as ferramentas contratadas realmente funcionarão em momentos de falha ou ataque, permitindo a continuidade das operações e a integridade dos dados.

Como exemplo de boas práticas, uma empresa farmacêutica do interior de São Paulo realizou um teste completo de recuperação de desastres no final de 2024. O procedimento foi executado durante o horário comercial, utilizando tecnologias especializadas para validar todo o plano de restauração. O objetivo do teste foi confirmar se a infraestrutura disponível seria capaz de restaurar o ambiente operacional de forma eficaz, dentro dos parâmetros acordados, como tempo de recuperação (RTO), ponto de recuperação (RPO) e ponto de restauração.

A execução de um teste desse porte vai além da simples verificação técnica. Trata-se de um processo que permite ajustar estratégias, identificar pontos de melhoria e promover segurança jurídica e operacional para a empresa. A documentação gerada ao final do teste se torna uma referência indispensável para futuras respostas a incidentes, especialmente em um contexto no qual a rotatividade nas equipes de tecnologia é elevada.

Validar periodicamente os sistemas de recuperação não apenas fortalece a capacidade de resposta diante de falhas ou ataques, mas também amplia a maturidade da gestão de riscos dentro das organizações. Ainda são poucas as empresas que realizam esse tipo de simulação de forma completa e documentada. Entretanto, trata-se de uma medida estratégica para preservar não apenas dados e infraestrutura, mas a própria continuidade do negócio.

Publicado em

FRAUDES VIRTUAIS E COMPORTAMENTOS DE RISCO: COMO A PREVENÇÃO PODE EVITAR PREJUÍZOS

Vivemos em uma era marcada pela digitalização de serviços, pela praticidade dos aplicativos e pela instantaneidade das comunicações. No entanto, à medida que a tecnologia avança, também se multiplicam os riscos associados ao uso desprevenido de dispositivos e plataformas digitais. O Brasil tem enfrentado uma verdadeira avalanche de fraudes virtuais, afetando pessoas de diferentes idades, perfis e níveis de instrução.

Levantamentos recentes apontam que uma parcela expressiva da população brasileira já foi alvo de tentativas de golpe por meios digitais, como e-mails, mensagens de texto, redes sociais e ligações telefônicas. Dentre os golpes mais recorrentes, alguns se destacam pela capacidade de enganar com aparência de legitimidade. É o caso da falsa central de atendimento, onde a vítima acredita estar em contato com o próprio banco, fornecendo informações sensíveis de forma espontânea.

Outro golpe, ainda pouco conhecido, é o chamado “da mão fantasma”. Nele, o criminoso convence a vítima a instalar aplicativos de controle remoto, assumindo o comando do aparelho celular e acessando diretamente contas bancárias e dados pessoais. O risco se agrava quando o acesso ocorre de forma silenciosa, sem que a vítima perceba imediatamente o controle externo sobre seu dispositivo.

É preciso compreender que comportamentos rotineiros, como clicar em links recebidos por mensagens, instalar aplicativos fora das lojas oficiais ou divulgar dados pessoais em redes sociais, podem representar brechas importantes na proteção individual. A falsa sensação de domínio sobre o ambiente digital costuma ser um dos principais fatores que tornam as pessoas vulneráveis. Segurança, nesse contexto, é mais uma questão de postura do que de conhecimento técnico.

Outro erro frequente ocorre após o golpe: a hesitação. Muitas vítimas demoram a reagir, acreditando que podem resolver o problema sozinhas ou sentindo-se envergonhadas. O tempo, contudo, é determinante. O ideal é que a vítima entre em contato com a instituição financeira o quanto antes e registre um boletim de ocorrência, preferencialmente com o máximo de informações possíveis sobre o incidente.

As medidas de prevenção seguem sendo o recurso mais eficaz para evitar prejuízos. Adoção de autenticação em dois fatores, vigilância redobrada com contatos não solicitados e rigor absoluto quanto ao fornecimento de senhas e códigos de verificação são passos essenciais para o uso seguro da tecnologia.

Vivemos um tempo em que a confiança no ambiente digital exige, paradoxalmente, vigilância constante. A tecnologia permanece uma aliada valiosa, mas o seu uso consciente é o que determina se ela será uma ferramenta de conveniência ou uma via de acesso para oportunistas.

Publicado em

FRAUDES DIGITAIS CRESCEM COM O COMÉRCIO ELETRÔNICO: VEJA COMO SE PROTEGER

Com o avanço das compras realizadas pela internet, também se tornou mais frequente o registro de fraudes envolvendo sites falsos que simulam com impressionante fidelidade as plataformas de grandes varejistas. Muitos consumidores relatam que, após efetuar o pagamento, não recebem o produto adquirido nem conseguem contato com o fornecedor.

De acordo com dados divulgados por instituições ligadas ao setor bancário, aproximadamente um terço da população brasileira já foi alvo de golpes ou tentativas. Entre os indivíduos com maior grau de escolaridade e renda, os percentuais sobem para 39% e 41%, respectivamente, demonstrando que nem mesmo um maior nível de informação garante imunidade a essas práticas.

Golpistas atuam com técnicas sofisticadas, reproduzindo fielmente o visual de lojas conhecidas, inclusive com ofertas altamente atrativas. As fraudes geralmente ocorrem por meio de domínios com pequenas alterações, como a substituição de letras ou inserção de caracteres, o que dificulta a identificação imediata do golpe. O consumidor, muitas vezes, só percebe que foi enganado após vários dias de espera pela entrega ou ao tentar acessar um serviço de atendimento inexistente.

Autoridades policiais têm reiterado a importância da cautela no comércio eletrônico. Dados recentes apontam que o estado da Bahia ocupa a quarta posição nacional em tentativas de fraude, com 6,69% das ocorrências. No Brasil, 1,24% de todas as transações registradas foram consideradas suspeitas ou fraudulentas, segundo levantamento de empresa especializada em verificação de identidade digital.

Para reduzir os riscos, é recomendável adotar práticas preventivas antes de finalizar qualquer compra. Entre elas, observar se o site conta com certificado de segurança (cadeado na barra de endereço), verificar o número do CNPJ da empresa, consultar avaliações em plataformas independentes como o Reclame Aqui e evitar acessar links enviados por mensagens em redes sociais ou aplicativos de conversa.

Outro ponto importante é desconfiar de preços excessivamente baixos e nunca compartilhar senhas, documentos ou informações bancárias por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagem. A adoção da autenticação em dois fatores também é uma medida eficaz para proteger dados pessoais.

Caso ocorra a constatação de fraude, é fundamental registrar boletim de ocorrência imediatamente, entrar em contato com a instituição financeira ou administradora do cartão utilizado na compra e buscar o apoio de um profissional especializado, que poderá orientar sobre medidas para tentar reverter o prejuízo e responsabilizar os envolvidos.

A prevenção, aliada à informação e à prudência, é o melhor caminho para preservar os direitos do consumidor e evitar transtornos maiores nas relações digitais de consumo.

Publicado em

CIBERSEGURANÇA EMPRESARIAL: POR QUE TREINAR SUA EQUIPE É UMA MEDIDA ESTRATÉGICA E INDISPENSÁVEL

A digitalização das rotinas empresariais, embora represente ganhos expressivos em agilidade e competitividade, também impõe desafios relevantes no campo da proteção de dados. Cada novo sistema, plataforma ou ferramenta conectada amplia a superfície de exposição a riscos cibernéticos. Diante disso, a segurança da informação deve ser compreendida como elemento estruturante da gestão organizacional.

Entre os muitos fatores que compõem a estrutura de defesa de uma empresa, um dos mais sensíveis é o comportamento humano. As equipes internas, especialmente aquelas que lidam com informações sensíveis e canais digitais, figuram como pontos vulneráveis quando não devidamente orientadas. O erro humano, ainda hoje, figura entre as principais causas de incidentes de segurança digital.

Relatórios especializados têm apontado que grande parte dos ataques bem-sucedidos foram facilitados por falhas operacionais, como o clique em links fraudulentos, a abertura de anexos contaminados por malwares ou o fornecimento de credenciais em páginas falsas. Esses dados, por si só, evidenciam o impacto que a falta de preparo técnico e comportamental pode gerar.

Além disso, há um número expressivo de empresas brasileiras que sofreram prejuízos decorrentes de fraudes com boletos falsos. Esses ataques, muitas vezes bem elaborados, resultam não apenas em perdas financeiras, mas também em danos reputacionais que afetam a relação da empresa com seus parceiros e clientes.

Mesmo com o uso de sistemas avançados de proteção, como firewalls e softwares de monitoramento, a eficácia das barreiras tecnológicas está diretamente relacionada à conduta dos usuários. Uma equipe consciente e bem treinada funciona como camada adicional de segurança, capaz de identificar tentativas de golpe e adotar medidas corretas diante de situações suspeitas.

Nesse contexto, torna-se altamente recomendável adotar ações estruturadas voltadas à educação digital dentro da organização. Algumas medidas que podem ser implementadas incluem:

1. Capacitação periódica: É importante manter uma rotina de treinamentos que abordem temas como fraudes eletrônicas, engenharia social, proteção de senhas e segurança em ambientes digitais. A atualização dos conteúdos deve acompanhar as mudanças nas táticas utilizadas por cibercriminosos.

2. Simulações e testes práticos: Exercícios como campanhas de phishing simulado permitem identificar vulnerabilidades reais no comportamento dos colaboradores. Os resultados dessas ações ajudam a direcionar novas capacitações com base em situações vivenciadas.

3. Recursos informativos acessíveis: Cartilhas, vídeos curtos, fluxogramas e murais informativos são instrumentos valiosos para reforçar boas práticas no cotidiano da equipe. O conteúdo deve ser simples, direto e orientado à prevenção.

4. Valorização da conduta segura: Estimular a troca de informações, o relato imediato de situações suspeitas e o diálogo aberto sobre cibersegurança contribui para a construção de um ambiente mais vigilante e colaborativo.

A segurança digital, portanto, vai além da tecnologia. Ela depende da conscientização de cada pessoa envolvida nas rotinas corporativas. O investimento em capacitação não deve ser tratado como despesa, mas como política de proteção de patrimônio, confiança institucional e continuidade dos negócios.

Empresas que escolhem atuar de forma preventiva e educativa em relação à proteção digital colhem os frutos de uma estrutura mais sólida e preparada para os desafios do ambiente empresarial moderno. É a postura de quem compreende que a verdadeira proteção não está apenas nos sistemas, mas, sobretudo, nas atitudes.

Publicado em

DADOS EXPOSTOS? ENTENDA SEUS DIREITOS E MEDIDAS POSSÍVEIS SEGUNDO A LGPD

Na última semana, veio a público um incidente de segurança que comprometeu uma fornecedora de tecnologia responsável pela integração de instituições financeiras ao sistema Pix. O ataque cibernético, que desviou valores expressivos de contas vinculadas ao Banco Central, revelou vulnerabilidades profundas nas engrenagens técnicas que sustentam o sistema financeiro nacional.

Diferentemente de falhas pontuais em aplicativos ou sistemas isolados, esse tipo de incidente atinge estruturas de infraestrutura que deveriam ser protegidas por padrões elevados de segurança, supervisão e governança. O acesso indevido ocorreu por meio de uma brecha explorada na integradora tecnológica, afetando diretamente contas utilizadas para liquidações financeiras entre instituições e o Banco Central.

Embora o impacto inicial tenha se concentrado em contas institucionais, é necessário reconhecer o potencial reflexo sobre usuários finais. Instabilidades em sistemas de pagamento, eventuais bloqueios operacionais e o possível comprometimento de dados transacionais são riscos que não podem ser descartados. Dados operacionais expostos, se não forem corretamente tratados após o incidente, podem ser utilizados de forma fraudulenta em outras esferas do sistema bancário.

Nessas situações, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) estabelece obrigações objetivas para as organizações envolvidas. Entre elas, está o dever de comunicar prontamente à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) a ocorrência do incidente, além de, conforme a gravidade, informar os titulares e adotar medidas para mitigar os efeitos do vazamento.

A legislação assegura ainda ao titular o direito de acessar informações sobre o tratamento de seus dados e sobre o incidente ocorrido. É possível, por exemplo, solicitar detalhes sobre a extensão da exposição, os dados afetados e as medidas tomadas para correção e prevenção. O titular também pode solicitar cópias dos dados tratados e exigir revisão de decisões automatizadas que envolvam seus dados pessoais.

Caso haja indício de uso indevido dos dados — como fraudes bancárias, abertura de contas indevidas ou empréstimos não autorizados — o titular pode apresentar reclamação à ANPD e, se necessário, acionar o Poder Judiciário para buscar reparação. Contudo, decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça indicam que a simples exposição dos dados, por si só, não gera o dever automático de indenização. É preciso comprovar um dano efetivo e o nexo com o incidente de segurança.

Diante disso, é recomendável que o cidadão que suspeita de envolvimento em um incidente de segurança:

  1. Solicite informações formais à instituição envolvida sobre a possível exposição de seus dados;
  2. Monitore movimentações bancárias e financeiras, com especial atenção a tentativas de fraude;
  3. Formalize reclamação junto à ANPD caso a empresa não forneça os esclarecimentos devidos;
  4. Em caso de dano material ou moral, avalie o ajuizamento de ação judicial com base nos direitos previstos pela LGPD.

A confiança no sistema financeiro digital repousa, em grande parte, na capacidade das instituições de prevenir, detectar e responder de forma transparente a situações como essa. O dever de proteger os dados dos cidadãos permanece, mesmo quando falham os mecanismos de segurança. E é justamente nesse ponto que os direitos do titular devem ser plenamente respeitados e exercidos.

Publicado em

COMO PROTEGER OS DADOS NA ÁREA DA SAÚDE EM TEMPOS DE DIGITALIZAÇÃO

A digitalização dos serviços de saúde avançou de forma significativa nos últimos anos, sobretudo após a pandemia de Covid-19. Hospitais, clínicas e operadoras de planos passaram a adotar soluções tecnológicas que otimizam o atendimento, melhoram a gestão e ampliam a capacidade de armazenamento e análise de dados. Entretanto, esse avanço também expôs o setor a um volume maior de riscos cibernéticos, tornando indispensável uma abordagem estratégica e integrada de proteção de dados.

Estudos internacionais apontam que o setor de saúde está entre os mais visados por agentes maliciosos. Em 2023, houve um aumento expressivo nas tentativas de invasão digital a instituições da área, superando 60% de crescimento em comparação com o ano anterior. No Brasil, o impacto é igualmente relevante: dados indicam que o custo médio de um incidente de segurança em organizações de saúde ultrapassou os R$10 milhões em 2024, colocando o país entre os mais afetados globalmente.

Esse quadro demonstra que não se trata apenas de investir em ferramentas tecnológicas isoladas. A segurança da informação deve ser compreendida como um componente da qualidade assistencial e da continuidade operacional. Isso exige o envolvimento coordenado de pessoas, processos e políticas internas, que precisam estar alinhadas a práticas reconhecidas e atualizadas.

Capacitar as equipes constantemente, revisar fluxos operacionais e estabelecer políticas claras são medidas que fortalecem a resiliência institucional. Recursos como autenticação multifator, criptografia de dados em trânsito e em repouso, segmentação de redes e utilização de sistemas de detecção e resposta a incidentes são apenas parte de um conjunto mais amplo de estratégias necessárias.

Para apoiar esse processo, documentos técnicos consolidados oferecem orientações valiosas. A publicação norte-americana NIST Special Publication 800-66, Revision 2, por exemplo, fornece diretrizes para implementar controles eficazes voltados à proteção de informações de saúde eletrônicas. Já o NIST Cybersecurity Framework 2.0, lançado em 2024, organiza a abordagem de segurança em cinco funções: Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar — permitindo que organizações desenvolvam políticas estruturadas para gestão de riscos cibernéticos.

A proposta de tornar obrigatórias práticas como autenticação multifator, criptografia de dados e segmentação de redes por órgãos internacionais reforça o movimento por um padrão mais rigoroso de proteção, especialmente em áreas que tratam dados sensíveis.

Nesse contexto, a combinação entre tecnologia, capacitação contínua e governança bem definida constitui um pilar essencial para preservar a confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações. Instituições de saúde que adotam essa abordagem integrada estão mais preparadas para enfrentar incidentes, mitigar impactos e manter a confiança dos pacientes e parceiros institucionais. A segurança da informação, portanto, deve ser tratada como parte da estratégia organizacional, e não apenas como uma exigência técnica.

Publicado em

GOLPES VIRTUAIS EM AMBIENTES DIGITAIS: COMO IDENTIFICAR RISCOS E PROTEGER SEUS DADOS

O avanço da conectividade digital trouxe inúmeros benefícios, mas também abriu espaço para práticas ilícitas que exploram a confiança e a falta de informação dos usuários. A sofisticação dos golpes virtuais tornou-se um desafio constante para quem utiliza celulares, redes sociais e plataformas de compras online. As perdas não são apenas financeiras: muitas vezes envolvem vazamento de dados pessoais e comprometimento de relações pessoais e profissionais.

Entre os golpes mais recorrentes, destaca-se a clonagem de aplicativos de mensagens, em que criminosos assumem identidades alheias para solicitar transferências de valores. Também proliferam perfis falsos em redes sociais, que imitam lojas conhecidas e atraem consumidores com ofertas inexistentes. Sites de compras aparentemente legítimos, mas sem qualquer respaldo jurídico, também figuram entre os meios mais usados para enganar consumidores. Outro método comum é o falso suporte bancário: a vítima acredita estar falando com um atendente oficial, quando, na verdade, está entregando informações sensíveis a um golpista. Além disso, links maliciosos enviados por e-mail ou mensagens de texto continuam sendo uma porta de entrada para roubo de dados.

O ponto de partida para se proteger não está apenas em “desconfiar de tudo”, mas em adotar hábitos consistentes de prevenção. É necessário adotar uma postura ativa diante do uso da tecnologia, especialmente em relação ao controle da própria identidade digital.

Medidas eficazes para proteção:

  1. Configure autenticação em dois fatores sempre que possível. Este recurso adiciona uma camada extra de segurança, exigindo mais do que apenas a senha para acesso às suas contas.
  2. Evite realizar cadastros em sites e promoções de procedência duvidosa. Quanto mais lugares armazenam seus dados, maior o risco de exposição indevida. Uma base de dados, quando comprometida, pode ser utilizada por criminosos em ataques de engenharia social bastante convincentes.
  3. Desconfie de pressa e urgência em mensagens. Golpistas costumam criar um ambiente emocional que pressiona a vítima a tomar decisões rápidas. Mensagens com apelos dramáticos ou solicitações financeiras imediatas devem ser ignoradas ou, no mínimo, verificadas por outro canal de contato.
  4. Utilize gerenciadores de senhas. Em vez de repetir senhas fracas, essas ferramentas geram e armazenam códigos complexos com segurança, dificultando o acesso indevido às suas contas.
  5. Monitore frequentemente suas contas bancárias e redes sociais. Atividades incomuns podem ser os primeiros sinais de que suas informações foram comprometidas.
  6. Evite salvar senhas e dados de cartão em navegadores ou aplicativos desconhecidos. Ainda que prático, esse hábito facilita a ação de programas maliciosos instalados sem o seu conhecimento.

Caso ocorra uma fraude, é fundamental reunir imediatamente todos os registros da comunicação com o golpista, comprovantes de transferência e prints de conversas. Dirija-se à delegacia mais próxima ou registre o boletim de ocorrência online. Essas informações são valiosas tanto para a investigação quanto para eventual responsabilização dos envolvidos.

Proteger-se exige atenção constante, mas é perfeitamente possível navegar no ambiente digital com segurança, desde que se adote uma postura preventiva e consciente. Segurança online não é apenas sobre tecnologia, mas sobre comportamento.

Publicado em

PROTEÇÃO EFICAZ CONTRA MALWARE NO MAC: MEDIDAS ESSENCIAIS PARA MANTER SEUS DADOS SEGUROS

Apesar da reputação de maior segurança dos computadores da Apple, os Macs também estão sujeitos a infecções por malware. O risco é real, especialmente para usuários que lidam com ativos digitais sensíveis, como criptomoedas e dados financeiros. A boa notícia é que há formas eficazes de reduzir significativamente essa exposição, adotando medidas simples no dia a dia.

Manter o sistema operacional atualizado é uma das providências mais importantes. As atualizações do macOS corrigem falhas de segurança que poderiam ser exploradas por softwares maliciosos. Ignorar esse cuidado equivale a deixar portas abertas para invasores silenciosos.

Outra medida de proteção é a instalação de uma ferramenta antivírus confiável. Embora o macOS possua camadas nativas de defesa, elas não são infalíveis diante de ataques mais sofisticados. Um antivírus atualizado regularmente pode identificar e eliminar ameaças antes que causem danos.

Além disso, é necessário redobrar a atenção com links recebidos por e-mail e arquivos de origem desconhecida. O método conhecido como phishing é amplamente utilizado por cibercriminosos para enganar o usuário e levá-lo a instalar involuntariamente um programa malicioso. Muitas vezes, esses e-mails imitam mensagens legítimas, simulando comunicação com bancos, plataformas digitais ou prestadores de serviço.

Em ambientes de rede compartilhada, como escritórios e residências com múltiplos dispositivos conectados, a infecção de um computador pode comprometer os demais. Por isso, o cuidado deve ser redobrado quando se trata de downloads e instalações.

Outro ponto que merece atenção é a realização de cópias de segurança. Fazer backups regulares dos seus arquivos é uma forma eficaz de evitar perdas permanentes em caso de infecção. O macOS oferece a ferramenta Time Machine, que facilita esse processo, além das opções em nuvem como o iCloud e outros serviços especializados.

Como o malware atinge usuários de Mac

A forma mais comum de infecção ainda ocorre por meio de ações do próprio usuário — geralmente sem perceber. Ao baixar um programa aparentemente legítimo de um site não confiável, ou clicar em um link disfarçado, o usuário pode permitir a entrada do malware. Em alguns casos, o arquivo malicioso se instala silenciosamente e começa a operar em segundo plano, capturando informações sensíveis, como senhas e dados bancários.

Há também softwares que se apresentam como utilitários, mas que, na verdade, executam tarefas ocultas em benefício de terceiros. Uma vez instalado, o programa pode comprometer a integridade do sistema e a privacidade do usuário.

Recomendações práticas para manter seu Mac protegido

  1. Atualize regularmente o sistema operacional: isso garante a correção de vulnerabilidades que poderiam ser exploradas por softwares maliciosos.
  2. Use uma solução antivírus de confiança: ela atua na detecção e remoção de ameaças que escapam dos filtros nativos do sistema.
  3. Evite downloads de fontes duvidosas: sempre que possível, utilize a App Store ou sites verificados pelo desenvolvedor.
  4. Não clique em links de e-mails suspeitos: se algo parecer estranho, confirme a origem antes de tomar qualquer ação.
  5. Ative restrições para downloads automáticos: isso reduz o risco de que arquivos perigosos sejam baixados sem seu consentimento.
  6. Eduque-se sobre os tipos de ataques digitais: entender como funcionam os métodos de phishing e os principais tipos de malware ajuda a identificar ameaças com mais facilidade.
  7. Faça backups frequentes: mantenha uma rotina de cópias dos seus dados em unidades externas ou serviços de armazenamento confiáveis.

Respostas para dúvidas comuns

  • É necessário instalar antivírus em um Mac? Sim. Embora o sistema da Apple tenha bons recursos de segurança, eles não substituem uma ferramenta dedicada, especialmente diante das técnicas cada vez mais complexas utilizadas por invasores.
  • O que devo fazer se suspeitar que meu computador foi infectado? Desconecte-o da internet, execute um antivírus e, se necessário, restaure os arquivos a partir de um backup anterior à infecção.
  • O Time Machine é suficiente para backup? Para muitos usuários, sim. É uma ferramenta eficaz e simples de usar. No entanto, manter uma segunda cópia em nuvem ou em outro local físico pode ser recomendável, dependendo da sensibilidade dos dados.
  • Com que frequência devo atualizar meu software de segurança? Sempre que novas versões estiverem disponíveis. Habilitar as atualizações automáticas é uma forma prática de manter o sistema protegido.

O cuidado com a segurança digital exige atenção contínua, mas não é complexo. Com pequenos hábitos e escolhas conscientes, é possível manter seu Mac protegido e reduzir consideravelmente o risco de comprometer seus dados.